sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Simpatias

Tu e eu temos qualquer coisa. E é tudo e, de repente, não é nada para mim.
E tenho as minhas defesas consoante as tuas intenções. Agora, acordamos com as coisas que nunca sonhámos que poderíamos ser.
Não fui eu que te quebrei, não é de mim que deves ter medo. Pensava que te tinha perdido nalgum lado, mas nunca estiveste (sequer) lá.
Sinto-te a cair, e tudo o que quero ser é tudo para ti. Mas o agora foi embora.
E mais estranho que a tua simpatia - esta é a minha desculpa - é eu ter-me morto de dentro para fora. E todos os meus medos te terem conseguido afastar. E tenho medo mas, não estou a rastejar de joelhos.
Está tudo mal, onde é que raio eu pensava que estava?
E mais estranho que a tua simpatia, tira-me isto tudo para que eu não sinta. Estou-me a matar de dentro para fora e tenho a cabeça cheia de dúvidas. E tu não consegues ver que o que sonhaste não se está a tornar realidade. Diz-me, é fácil esquecer enquanto te engasgas nos arrependimentos?
E mais estranho que a tua simpatia, são todas estas coisas que roubaste de mim. E agora nem sei bem aonde pertenço.

E ainda estou apaixonado com as coisas que só achava que tinha.
E não serei eu a ajoelhar-me perante os sonhos que quis.
E toda a escuridão e todas as mentiras eram só coisas disfarçadas de mim.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Tormentas

Quando o amor é verdadeiro, nunca se apaga. Ninguém tem interruptores de on/off no coração e nem conseguimos enfiar a mão no peito e arrancar aquele chip que nos faz sentir assim/assado/frito/cozido.

Era bom? Era... mas é impossível.
Estou a falar de amor a sério, não de paixões ou ilusões. 
A paixão, deixa-te nas nuvens, é bonita e os sintomas são quase idênticos aos do amor: sentes-te nervoso, tremes todo, até podes suar nalguns casos. Mas com a paixão, não estás disposto a dar o salto por aquela pessoa. O teu pensamento é "sou como sou, quem gosta muito bem! quem não gosta come menos" - ou algo do género. Ok, é um bom pensamento. Temos que nos manter minimamente fieis ao que somos. Contudo, com a paixão não estamos dispostos a ver as nossas falhas, nem a melhorá-las. Podemos tapá-las durante uns tempos com umas roupas bonitas mas, passado um tempo, só nos apetece rasgar essa roupa, dar dois berros e voltar ao mesmo. E é o que acontece. Já aconteceu comigo e já vi acontecer à minha frente. Paixão é "tesão de mijo".

Agora, o amor. Pelo amor estás disposto a realmente reflectir sobre as tuas atitudes e defeitos. Tentar realmente melhorar e dar o tão famoso salto. Amor e amar é um sacrificio. É um sacrificio, mas é em nome de algo maior que nós e quando o estamos a fazer nem notamos isso. Chama-se crescer. 
Há subtis diferenças entre paixão e amor. Com a paixão, quando vês o objecto dessa tua paixão talvez olhes, consigas sorrir e pronto já está. Ou talvez, cruzes o olhar duas, três vezes no máximo. E é tudo.
Com o amor isso é diferente. Quando vês quem amas, tudo o resto à tua volta desaparece e enquanto co-habitam o mesmo espaço está sempre inerente aquela presença, esteja ela a cinco ou a cinquenta metros de ti. Olhas durante horas se for preciso. Sentes não os batimentos cardíacos mas murros no peito.
E apesar de te custar, continuas a olhar, a fazer este jogo masoquista. Como se tentasses decorar e absorver cada pormenor de quem amas. Como se a visses pela primeira vez. E quando os olhares se cruzam o ar fica mais pesado, cheira a chuva e trovoada. O som fica um eco muito longínquo. E o tempo abranda.

Há alturas na vida, alturas muito raras e que acontecem ainda a um grupo ainda mais raro de pessoas em que, antes de saberes sequer o nome ou se fala a tua língua ( já faltava um bocadinho de globalização neste blog) com um simples olhar tudo se transforma. Eu sei, insisto sempre neste capítulo. Estou fascinado com este fenómeno... Só tinha lido livros, visto meia dúzia de filmes e ouvido três, quatro canções sobre o tema. Não sabia que o ia viver. Aqueles dias em que te levantas e é tudo igual (pensas tu). E em dez segundos, vês que te enganaste e que se calhar não sabes é nada sobre o tema.

Paixões são como marés, vão e vêm conforme fases lunares.
O amor é sinal que estamos vivos.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Fases

Estava a pensar sobre relações e, como isso se funde com as canções sobre relações e, enquanto tentava pensar cheguei à conclusão de como fazer as coisas resultar.

Quando conheces alguém, e descobres que esse alguém gosta de ti - primeiro que tudo - um amigo de um amigo dessa pessoa diz "Ela gosta mesmo de ti" e isso mata-te, atira-te para o chão. E tens de te apanhar pedaço por pedaço; depois consegues o número de telefone e ligas ou mandas mensagem certo? E dizes  "Sim, é uma conversa realmente boa, podemos ir tomar café um dia destes?" e depois dizem-te isto "Sim, gostava muito...". E nada te faz sentir melhor do que aquele "Gostava muito". Então, saem durante uns tempos. estão sempre a trocar mensagens e tu largas a bomba, o que tu achas que é uma bomba: "Sabes que mais, tenho pensado imenso em ti". E ela começa "Ahhhhh!", e tu "O que se passa?" e ela responde "Desculpa, é que eu também tenho pensado em ti ". Pum! Disparado em direcção ao céu. Mas agora o "Gostava muito"...completamente acabado. Agora o que conta é "Tenho pensado em ti também".

E aí, passado uns tempos, quanto te sentires confortável para o dizeres: "Tenho que te dizer algo", "O quê?"..."Estou apaixonado por ti". E nada no mundo soa melhor do que "Estou apaixonado por ti". E talvez ela comece a chorar, ou fique sem ar... E de repente pensas "Já está...". Mas agora o que é que não resulta? "Gostava muito" e "Tenho pensado em ti também". Agora estamos na fase do "Estou apaixonado por ti".

E talvez um dia se consiga avançar para o "Amo-te".
Fast forward, agora estás na fase "Amo-te tanto; amo-te mais que tudo na vida". Agora "Amo-te" não resulta.

É um limiar que está sempre a avançar. 

Fast forward outra vez, seis dias, seis semanas, seis meses dependendo do caso. Agora é " Quero casar contigo; só quero enviar-te todo o meu amor; as palavras não resultam mais". E depois dizes esta frase, toda a gente a diz: " Quem me dera que pusessem uma palavra no dicionário maior que amor, porque amor já não descreve o que sinto". E é aqui que ela começa a perguntar " Amas-me?" e respondes "Claro que te amo".
"Então diz!". E voltamos ao mesmo: Dizes duas, três vezes.
E é aqui que atravessamos um ponto realmente interessante quando tudo começa a ser "Odeio-te!". "Oh meu deus, ela odeia-me". Agora é "Odeio-te mais que tudo!" e o clássico "Acabou", "Não acabou nada", até que te fartas e "Sim, acabou mesmo".
E agora as palavras já não resultam e ficas sem nada. Dás socos debaixo de água. Estás acabado.

E sabes qual é a moral da história, se é que há uma? Nunca, mas nunca, nunca, nunca subestimes o poder de "Gostava muito".


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Lápis de Cor


A vida é como uma caixa de lápis. A maior parte das pessoas são caixas de oito cores, mas o que tu queres mesmo são aquelas caixas de sessenta e quatro cores com afia-lápis. Gosto de pensar que sou uma caixa de sessenta e quatro cores, apesar de me faltarem alguns lápis. É porreiro, porque sempre tenho cores mais vibrantes como pervinca à minha disposição. Tenho é um problema: só consigo conhecer caixas de oito lápis. Mais alguém tem esse problema? Há tantos tipos diferentes de cor na vida, de sentimentos, de articulações e hipóteses. Então quando conheço algúem que é do tipo caixa de oito lápis... É do género "Então! Magenta!" e ela responde "Ah sim! Queres dizer roxo?" e continua a fazer a sua coisa roxa e eu fico "Não! Eu disse magenta!".
Há dias em que gostava de ser o tempo assim, volta e meia trazias-me à conversa. E quando chovesse eu seria o assunto do dia.
E mesmo quando achares que a chama morreu, vai haver pelo menos uma música que vai acertar naquele último sitio quente e aí, vais-te encontrar completamente lixado. 
Tal como no dia em que mentiste e disseste que nunca mais a querias ver. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

T-shirt Laranja

Uma vez li contigo "Não me arrependo dos momentos que tivemos apenas da maneira de como aprendi a lição".

Infelizmente e, a contra-gosto, faço das palavras dele as minhas.
Copy + Paste. Sem tirar nem pôr.
Não me arrependo nada e de nada do que tivemos.
Tenho pena de, se calhar, não te ter dado, mostrado ou aproveitado mais.
Talvez te devesse ter posto a anilha no dedo quando pediste, talvez devesse ter tido mais paciência quando me abraçavas e entravas em modo "chatinho". Devia ter-te mostrado mais de mim. E aproveitado mais as horas quando estava contigo.
É o erro de acharmos que somos eternos.
De não ter tido mais atitude quando vi e comecei a sentir as coisas a apertar. Isso ninguém me tira da cabeça.

E agora aprendo a lição da maneira mais dura. Acompanho a tua vida de longe, através de fotos em que já não sou eu a sombra ao teu lado.
Sou como um anjo caído e esquecido.

E no fim, o que tenho eu para mostrar de tudo o que sinto e de tudo o que sonhei ter contigo?
Cinco fotos e uma t-shirt laranja.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Uncle John

É domingo à noite, uma noite que nunca deve ser confiada aos sentimentos. Muita gente vai para casa e, ou recebe mensagens a meio da noite ou começa a redigir mensagens que não correspondem com o que sentem realmente durante o resto do dia ou da semana. E aí apercebem-se , e se não te apercebes vai haver alguém que se vai aperceber por ti.
E os teus amigos, o teu cérebro, a tua moral e consciência treinaram-te para não responderes.
Vou contra isso e vou sugerir que da próxima vez que recebas uma mensagem da pessoa que amas, a única pessoa no mundo que amas e com a qual não podes falar, que respondas. E responde quando te perguntam se estás acordado. E se estiveres responde "Sim, passa aqui".
Porque a vida é demasiado curta para continuarmos a jogar este jogo.
Porque se realmente queres alguém, mais tarde ou mais cedo apercebeste.  Se não, vais estar deitado na cama com o telémovel em cima do peito, sem nada para fazer à espera que ele vibre.
Se amas alguém...Se amas alguém, não digas nada, simplesmente aparece.
Deixa-me chorar por ti, deixa-me pensar que és alguém diferente...
Se amas alguém....

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Limites do desejo

Jovem e cansado de fugir. E diz-me: onde é que isso me levou? A um grande 8 ou a um pequeno infinito?
O amor não é nada mais do que um sonho que me mantém acordado. Por mais que eu tente, acabamos sempre por morrer. Como é possível?

Tão jovem e cansado de fugir. Até ao limite do desejo, sustenho a minha respiração e silenciosamente grito "Preciso de ti agora!". Inquieto e cansado.
Acho que vou dormir em cima da minha roupa espalhada pelo chão. Espero que este "colchão" rode sobre si mesmo e, talvez ache que estou a dormir contigo.

Não digas nada. Apenas vem ter comigo e deita-te aqui. Porque estou prestes a pegar fogo a tudo o que vejo.
Quero-te tanto que voltava com as minhas palavras atrás.
Pronto, admito, tenho medo que te esqueças de mim.