quarta-feira, 12 de março de 2014

Binóculos

Pensei que eras um anjo, a brilhar entre as nuvens. Pensei que tinhas alguma fé, agora tenho as minhas dúvidas.
Talvez tenhas ido dormir. Talvez tenhas ido embora, só para ficar...
Pensava que tinhamos alguma coisa. Pelo menos era no que eu tentava acreditar.
Odeio ficar sozinho mas, contigo eu era mais solitário.
Nunca vou saber, ao menos estás longe dos meus olhos - mas nunca longe da minha cabeça.
Talvez o nosso amor tenha ido dormir. Talvez o meu amor tenha ido muito fundo.
Talvez tenhas ido embora, só para ficar...

Acho que estás a pensar em mim agora, porque sabes que eu estou a pensar em ti. Por favor, ama-me mais uma vez, porque sabes que para mim és a única. E acredita, porque és a única.
Preciso de ti sempre, algo dispara quando olho para ti. Estou em paz quando estou contigo. E estou feliz porque me sinto livre.
Ama-me porque és minha e eu sou teu. Confia no que sentes, lembra-te quando o teu coração começou a bater mais forte.

terça-feira, 11 de março de 2014

Metáforas

Ainda que tu não o saibas, inventei o teu nome. Droguei-me com promessas, dormi nos carros. Ainda que tu não entendas, nunca escrevo nas cartas o meu endereço para que não sigas as minhas pegadas.
Ainda que tu não o saibas, encostei-me nas tuas costas. E a minha cama queixa-se, fria, quando te vais embora. Blindei a minha porta, e quando chega a manhã, percebo que nunca estiveste aqui.
Ainda que tu não o saibas, tinhamos tanto. Com as mãos tão cheias, cada dia mais magras. Inventávamos marés, tripulávamos barcos e eu incendiava com beijos o mar dos teus lábios.

Esta semana pensei em raptar-te em minha casa. E assim via as tuas fotos quando fosse dormir. Quero saber como és, como estás e que por fim me conheças e te apaixones por mim.
Todas as noites me deito e procuro-te na minha cama. E tu nunca estás. Mas sei que de manhã, não te vais poder esquecer de mim. Vou ser o teu pesadelo de noite e de dia. Não digas que não, se ainda não estiveste aqui.
Nunca pensaste que te fosse trancar na minha casa. Nunca pensei que te pudesse fazer isto, a ti.
Compreende que esta é a única maneira de me quereres sem termos de repetir tudo.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A 3 metros sobre o céu

E de repente algo acontece e, sabes que as coisas vão mudar já aconteceram. E a partir daí, nada voltará a ser o mesmo...nunca.
E de repente alguém te diz "calma", e quando te acalmas começas a aperceber-te das coisas.
Há sempre um momento em que o caminho se bifurca, cada um toma o seu caminho a pensar que no fim os caminhos se voltam a cruzar. E do teu caminho vês a outra pessoa cada vez mais ao longe, mais pequena. Não se passa nada, fomos feitos um para o outro, e no final do caminho ela vai lá estar. Mas no fim do caminho só acontece uma coisa: chega o Inverno.

E de repente dás conta que tudo acabou. Que já não há volta a dar, o que sentes, e então tentas-te lembrar do momento onde tudo começou e descobres que tudo começou antes de conseguires perceber...Muito antes... E nesse momento percebes que as coisas só acontecem uma vez e, por muito que te esforces, nunca vais voltar a sentir o mesmo, nunca vais voltar a ter a sensação de estar a três metros acima do céu.

Quando alguém desaparece da tua vida, pode ser que nunca mais a vejas e que nunca lhe digas todas as coisas que lhe querias dizer. Agarras num papel e num lápis e escreves uma carta. Pode ser interminável ou só uma palavra. Escreves para essa pessoa que se foi, mas não a mandas. Não. Dobras a carta pegas no isqueiro e queimas a carta. O vento leva a carta e a dor que sentes não fica tão dentro de ti.

Podes ajudar-me a emendar este erro. Na melhor das hipóteses se nos esforçarmos as coisas podem voltar a ficar bem. E isso, não vai ser fácil. Sozinho, não consigo.

Porque, já nos sentimos assim, os dois: a 3 metros sobre o céu.

domingo, 9 de março de 2014

Roll-model

O que é que se passa com as pessoas onde em dia? Só vivem para o material. É o copo que bebemos a mais, o "vomitou-se todo!", a vida loca, o estilo, a pose. Vivem e respiram para o material. Para o show-off. Para se humilharem, pisarem e sairem por cima das situações. Não consigo viver a minha vida assim. Não fui habituado assim. É certo que não sou perfeito. Também gosto dos meus excessos, do meu copo a mais, da minha directa, das minhas loucuras. Mas não apregoo ao mundo o que fiz. Não partilho instantaneamente quando estou a comer sushi (sushi não, que não gosto), ou fotos em que aparecem as mãos e fazemos todos uma estrelinha, ou um brinde com copos quase vazios porque o que lá falta já foi para dentro.
Partilho com quem esteve comigo, numa mesa de café, entre a modorra de cigarros, águas das pedras e cafés. E fica ali. Ali nasce, ali morre. Não tenho que provar nada a ninguém. Que tenho, ou deixo de ter dinheiro, para fazer isto e aquilo.
Tenho que o provar a mim.
Já fui assim, como as pessoas que critico. E revejo-me como era nos "seres" que co-habitam comigo na rua.
Tento mudar mentalidades. De cada vez que faço uma colónia de férias, tento mudar mentalidades. Tento que no espaço de uma, duas semanas absorvam e retirem algo de mim. Mais que não seja para não se enfiarem nos buracos onde me enfiei. Sinto-me como um irmão mais velho. E, faço-o sempre com os mais "problemáticos", com os mais "pintas". E por vezes ouvem-me.
Numa semana sou irmão, amigo, conselheiro, pai, mãe, avó, cão, periquito. Umas vezes um Hitler outras um Ghandi. Com uns laivos de Casanova admito (quando há algum casalinho que precisa de um empurrão - delicioso). E desgasta-me. O lado óptimo é o que retiro deles, o que observo. E comparo com a minha geração. Fazia igual. E pior. É por isso que lhes digo que não há nada que não pensem em fazer, em teoria, que eu já não tenha feita na prática.
Basta que um me oiça e mude (como já aconteceu - grande miúdo!) e o que ando ali a fazer, além dos saltos e palhaçadas, já vale a pena.
Podemos não conseguir mudar o Mundo mas podemos tentar e mostrar que queremos ser a diferença
Não faço isto por mim. Não é por ter uma t-shirt amarela a dizer "Monitor" nas costas que de repente sou o melhor ou mais que os outros. Sou sim, o exemplo, o roll-model daqueles dias. E é uma responsabilidade tremenda. É inevitável criar laços. 24h sobre 24h acaba por fazer alguma mossa.
É óptimo ouvir que somos o melhor de sempre, o mais divertido, mesmo que seja só durante aquele periodo de tempo. É bom ir à cama às quatro, cinco da manhã para me levantar às oito mas com o sentimento de dever cumprido. Que eles estão completamente rebentados porque o dia foi a rasgar. E nós, mais rebentados estamos, porque se não puxarmos por eles, se não levarmos nós as coisas para a frente toda aquela máquina não anda. Depende de nós o estado de espírito de toda uma colónia de férias. A ansiedade do "o que vamos fazer hoje" depende de nós.
Fizeram-no por mim quando era miúdo. Monitores que me marcaram, que me ensinaram, deram na cabeça, ralharam comigo. E aprendi com eles. Acho que é meu dever fazer algo também por estes miúdos de hoje.

Apesar do que vejo, seja durante o verão com eles ou durante os dias e (principalmente) as noites há esperança. Ainda há pessoas que, por momentos, nos surpreendem. E retiramos sempre algo delas. Apesar de efémero, surpreendem.



sexta-feira, 7 de março de 2014

S

Quero ser só. Quero ter só algo mais, que eu nada sou sem companhia.
Diz-me quem eu sou como se o não fosse. A rua quebra-me a força negativa.
Sorrir, não é pêra doce!
Matei o monstro da monagamia, e a minha vida parou na letra S.
A minha mão não quer, que eu mate agora.  Eu mesmo nunca sei.
Eu posso dar, posso dar mundo, tal fosse um copo grande embora sem o fundo.
Eu não entendo mas amo quem tu és, e que assim sendo padeço a teus pés.

E a minha vida parou na letra S.

Fumo

É pena quase não poder ficar, és quente quando a luz te traz. Quase te vi amor, quase nasci sem ti, quase morri dentro de mim. Ficas dentro de mim,  Por dentro de mim, estás dentro de mim.
Silêncio. Lua. Casa. Chão. És sitio onde as mãos se dão. Quase larguei a dor. Quase perdi, quase morri dentro de mim, Ficas dentro de mim.
Sempre só mais um homem, mais humano, mais um fraco... Sempre... Só mais um braço, mais um corpo, mais um grito, sempre...
Dança em mim. Mundo, vida e fim. Dorme aqui, dentro de mim.
É pena quase não poder ficar, no sitio onde as mãos se dão.
Quase fugi amor, quase não vi.
Vamos embora daqui, para dentro de mim.
Queres lutar contra quem? Para doer onde, para ser o quê? Achas que ninguém vê? E para quê fingir, porqueê mentir e remar na dor? Também eu queria parar, chorar, cair para te levantar, para te puxar! Para te fazer sorrir e não voltar a cair. Não me olhes assim, continuo a ser quem fui. Cada vez mais aqui... Quando entrares, não dances tão longe que eu já te vi.
Ainda me alteras os passos se te vejo passar, no momento em que somos só os dois no meio da multidão.
Ainda me alteras a fala se te vejo parada, nesse fumo sensual, nessa cinza esquecida de quem não se interessa.
Ainda me fazes pensar, quase achar, que te amo. Quase acahar que o destino se enganou no caminho. E esperar que me toques é um vicio que adoro.
Foi mais um sol que nasceu. Mais uma vez igual. Mais uma vez contigo,para esquecermos o mal que fizemos aos dois por deixarmos tudo para depois.
E mais uma vez aquele abraço, que sente o que para sempre é segredo e é suave presença perdida em nós.
Só não te quero ver chorar por ti. O teu mundo é como eu, e só eu sei olhar esse fumo que é só teu.

E quando achar que "Solteiro" volta a ser a música que me define, é porque nos perdemos definitivamente.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Impossível

Ainda me lembro quando me prometi a mim mesmo "tem cuidado com o amor e, por quem te apaixonas".
E eu, vejo agora, que talvez não tenha sido forte o suficiente. Erro meu se caí na ilusão e se, de alguma maneira, fui descuidado.
Promessas completamente vazias e as palavras que me disseste, infelizmente, ainda ecoam a todas as horas dentro da minha cabeça.
Ao menos, espetavas a faca de uma vez e não milímetro a milímetro como tens feito.
Quebraste a confiança, adorava conseguir confiar em ti outra vez como confiava cegamente quando me olhavas nos olhos e sorrias para mim de cada vez que te via. Acho que é do que tenho mais saudades. É de estar no carro à tua espera e quando te via, mal olhavas para mim e enquanto caminhavas na minha direcção vinhas a sorrir.
Espero, ao menos, que quando fales de mim ou quando pensas em mim que sorrias porque, nunca te dei razões a não ser para sorrires. Só queria ter sido o teu super-heroí, o teu super-homem. Aquele que vinha a voar, de entre as nuvens, e te apanhava mesmo antes de te estatelares no chão. 
Achava e, ainda acho apesar de tudo, que contigo seria diferente. Já que tudo começou de maneira diferente, finalmente, eu iria ter aquilo que merecia e ainda mereço. E mentes a ti mesma, dia após dia, se dizes que não pensas em mim, que por vezes em conversas não sentes a minha falta. Mas isso serão actos da tua consciência. Cada um de nós, à noite, dorme com a sua consciência.
Nem sei o que pensar, quando falas de mim a alguém. Se me culpas pelo que aconteceu ou, se és sincera. Ao menos diz-lhes que fui feliz, que me partiste o coração, que voltaste a abrir-me todas as cicatrizes que fui coleccionando ao longo dos anos. Que te tatuaste em mim. E que me saiu o tiro pela culatra: quis roubar-te o coração mas, acabei eu por ser assaltado. E aí ficou, guardado numa gaveta do teu quarto. Quando o puderes devolver, agradecia.
E pensar que tudo o que tu precisas para sair disto está em ti.
Diz-lhes também que tudo o que eu pensava ser para ti era, simplesmente, impossível porque não deixaste que eu fosse sequer alguma coisa.