sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Listagem


1. Trabalhar dá trabalho. Estudar dá trabalho. Fazer uma coisa bem feita dá trabalho.

2. É estúpido tentar agradar a toda a gente. É impossível forçar alguém a gostar de nós, muito menos com frases feitas e poses estudadas.

3. É impossível não errar. Sempre que fazemos uma coisa nova, vamos começar por fazê-la mal.

4. Pôr dentes debaixo da almofada não dá dinheiro. O dinheiro custa a ganhar – ainda mais do que perder dentes – mas desaparece num instante.

5. Ter medo é normal. Não há problema em sentir medo, desde que façamos o que temos a fazer, apesar do medo.

6. Não há famílias perfeitas. Cada família é funcional e disfuncional de uma forma única.

7. Não há pessoas perfeitas. Se alguém que admirávamos nos desilude, é porque estávamos iludidos.

8. Somos mais do que as coisas que fazemos. É possível ter feito asneirada e continuar a ser boa gente.

9. Vamos sofrer. O mundo não é côr-de-rosa, e há coisas que nos vão magoar. Mas não adianta nada preocuparmo-nos com isso.

10. Há coisas contagiosas. Como o bocejo, o riso ou o herpes labial.

11. As relações não são como nos filmes. Estar casado não é um mar de rosas e ninguém está sempre apaixonado.

12. Amar uma pessoa a sério dá muito trabalho. Mas vale a pena.

13. O barulho do mar não fica armazenado dentro dos búzios. Nem a água das piscinas é azul.

14. Há coisas que não mudam. Há situações e pessoas que não vão mudar, mas a nossa forma de lidar com isso pode sempre mudar.

15. Apanhar um escaldão não é sexy. Nem apanhar uma bebedeira. Nem dizer palavrões.

16. O mundo real é melhor que o virtual. A internet é simpática mas uma conversa ao vivo é melhor.

17. O papel higiénico acaba-se. Tal como todas as coisas que se compram. Só não se acaba o que não tem preço.

18. Não se pode acreditar em tudo o que nos dizem. Há quem não faça o que diz, e há quem não diga o que faz.

19. Querer estar em todo o lado ao mesmo tempo não é possível. Nem é o que nos faz mais felizes.

20. Há listas de bons conselhos que não servem de nada, porque há coisas que só se aprendem se forem vividas.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Resgate Aéreo

Acusaram-te ontem de nada saberes sobre o Amor ou a Amizade.

Tristemente acabei por concordar. 
Não sabes nada de nada sobre a Amizade.
Amizade é outra forma de Amor. É uma forma de respeito, de união, de apoio mútuo. Não se passa por cima dos amigos. Eles são o que de melhor vais ter na vida. Já to tinha dito: que qualquer amigo é mais valioso que qualquer namorado, curte ou flirt. Que os amigos, quando há dúvidas, têm e devem ser sempre a prioridade a ser defendida. Se eu sabia, quanto mais tu. Se eu com uma frase naquela noite no meu carro, enquanto me fingia de despercebido, entendi tudo tu não tens desculpa. Devias ter-te afastado, ter rejeitado essa ilusão em que vives. Tens de rebentar a bolha e evitar mais chapadas de luva branca - ainda por cima públicas. Estás sozinha. Pensas que não, mas estás. Isso que tens é efémero, é mais que passageiro. Chamo-lhe uma aventura, um devaneio, uma ilusão porque não vai passar disso quando tiveres que pagar a conta. Ainda agora começou e já se levantam vozes de revolta. Não é de todo um bom prenúncio. Podes, publicamente, tentar disfarçar mas a consciência pesa. E à noite, antes de dormires, não é ele, nem ninguém que dorme com a tua consciência. És tu. Com a consciência dos teus actos e das tuas palavras.
Vais ter de correr atrás, para tentar emendar os teus erros. E, como eu sei que os cometeste. E continuas a cometer. E por continuares a cometer é que afirmo que estavas melhor comigo. Estavas a evoluir, estavas a crescer. Agora, como um cancro, houve um retrocesso. Houve mais um golpe de azar. 
Se continuas assim, daqui a uns anos vais olhar para trás e vai-te doer. Vai-te dar vontade de voltar atrás e tentar recompor as coisas. E não vais conseguir.
Quiseste ter o teu grito de revolta- Não contaste com o eco.

E sobre o Amor? Sobre o amor sabes ainda menos que nada.
O Amor não é um novelo de lã com que tu brincas como se fosses um gato. Não empurras o novelo pela casa durante uns tempos e, quando vês uma luz a dançar na parede, dás uma patada no novelo, esqueces e persegues essa luz que nunca vais conseguir sentir, agarrar, tocar e cheirar.
E o novelo fica ali esquecido, debaixo do sofá, a ganhar pó. E passa tanto tempo que esse novelo nem para fazer um cachecol serve.
Eu, que já passei por quase tudo no que diz respeito ao Amor, nada sei sobre ele. Ninguém sabe. Há múltiplas definições, cada um com a sua.
Amor para mim é incondicional. É a sério, e não um passatempo. O Amor não são umas quecas suadas em cima duma cama. Não são palavras. São actos. É demonstrares todos os dias que o mereces. É lutares por ele todos os dias, mesmo que esteja tudo bem. É dares razões para que fiquem contigo, não porque têm medo de te perder mas sim porque tu mereces.
É dares a mão e enfrentares os problemas quando estes existem. Não é fugir quando a primeira bomba rebenta. É seres escudo e espada. É seres cobertura quando chove e sorriso quando faz sol. É seres tudo e seres nada. É conseguires ter a responsabilidade e a noção que és tudo para alguém e que alguém é o teu tudo. E o teu todo.

Não sei o que me magoa mais. Se é a tua ausência ou, se é ver-te errar dia a após dia após dia... E cada vez erras mais e segues por um caminho pelo qual eu não te vou poder seguir. 
Porque não faz parte de mim.
Quando precisares, talvez alugue um helicóptero para te ir salvar. Talvez. Depende do preço do aluguer. Mas, que não vou pôr um pé nesse caminho isso te garanto que não vou.

Se calhar, é melhor ir começando a pensar em tirar a licença de piloto.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um milhão de cicatrizes

Hoje volto a encontrar o meu coração que estava escondido dentro de uma caixa, perto do afecto e do manual de como me hei-de fazer um Homem.
E passei, a olhar à minha volta, e estou tão perdido com a falta de ilusão. Perto do perigo, sem equilibrio e sem norte.
E hoje pergunto-me porquê. Quis tão pouco e fechei-me. A dar voltas e voltas com algo que eu criei.
E por pensar tenho um milhão de cicatrizes, sou um escudo, sou hiper-sensivel. Uma barreira para o coração.
Não gosto de estar assim triste, por paranoias acabei por fazer feridas no meu interior.

Que grande libertação sinto hoje, ao recorrer tão pouco ao coração. Que está mais forte e não se quer esconder.
Que bom é ver-me hoje sem o anterior, sentir-me tranquilo sendo o que sou: inofensivo, sereno, amável e carinhoso.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

(In)Completamente

Já alguma vez sentiste que tens um buraco dentro de ti?
Não finjas que estás arrependida, sei que não estás. Tens o poder de me fazer tremer os joelhos. Desde que te vi que é assim. Mesmo quando estava contigo. Sempre que te via, sempre me tremiam os joelhos e o meu estômago dava um nó.

No fundo, recuso-me a aceitar esta situação. Só me resta esperar que a vida faça o resto. "Não posso obrigar ninguém a gostar de mim. Só posso dar boas razões para que tal aconteça e, esperar que a vida faça o resto".

Sou um sonhador. E os sonhadores e os tolos têm uma coisa em comum: só se têm a si mesmos.
Mesmo que mais ninguém acredite, eu acredito. Porque no fundo eu é que sei o que sinto. É como se em mim tivesse um exército, a perfilar-se para uma batalha iminente que se arrasta em chegar. Mas sei que ela vai chegar e, quero estar preparado.

Quero estar resolvido comigo mesmo, de cabeça (e coração) esclarecidos. Já nem te peço o respeito, só peço a tua atenção durante os cinco, dez minutos que durar essa batalha. Mais uma que travo, uma de muitas. E não é por isso que não fico nervoso ou que a vou lutar melhor.
Descansa, não te quero convencer de nada. O que está feito, feito está. E o que está definido, isso não vai mudar: não são uns minutos que vão re-definir estas semanas.

Acabei por me perder, naquele limbo inicial. O bom de já ter passado por esta situação múltiplas vezes é que cada vez que me levanto, levanto-me mais forte e mais consciente.

Eu tentei continuar, fingir que nem te conheço. Estou acordado, mas metade do meu mundo ainda dorme.
E quando quero recuperar, levantar-me, vejo-te e começa tudo de novo.

Já to disse, e repito. Para ti uma expressão e uma frase: Incondicionalmente. Não és parte do meu mundo, és o meu Mundo à parte.

E azar se o mundo não nos acompanha. Ele há-de lá chegar.

Estivemos, uma vez apaixonados. Acidentalmente apaixonados...

Infelizmente, é assim mesmo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Auto de Fé

Confesso, que apesar de tudo o que escrevo, tenho saudades tuas.

Do teu cheiro. Do teu cabelo, em que me afundava quando nos abraçávamos. Daquele sorriso enorme que tinhas quando caminhavas na minha direcção. O mundo parava mesmo à tua volta.

De quando saías do banho, enrolada na toalha, e me perguntavas porque é que estava a olhar assim para ti.
A forma como punhas a mão na minha cara quando me beijavas.

De como quando dançávamos a nossa música. Só porque sim, porque fazia sentido sem nos importarmos se estava alguém à nossa volta. 

Como confiavas em mim para me contares tudo e mais alguma coisa. Como contavas comigo para te aconselhar e para te ouvir. Sabias que não te julgava e, por isso, confiavas em mim cegamente.

Tenho saudades do orgulho imenso que tinha de ti, da tua força, da tua personalidade. Da tua construção de independência. Da tua luta constante para alcançares o que querias.

Dos planos que fizemos, de viagens, saídas, passeios, jantares.

Da tua crítica, que no fundo era uma brincadeira, porque adoravas tudo o que fazia; fosse um jantar que não estava grande coisa, ou uma tentativa atabalhoada de ser romântico ou de te surpreender.

De como adorava andar de mão dada contigo, de me abraçar a ti. Nunca me negaste nada. E dei-te tudo de mim.

As birras que fazias quando me pedias massagens. Quando punhas aquela capa de menina-mulher para me dares cabo do juízo.

Acho que nunca te vi triste comigo. Lembro-me de tudo, e só me lembro de sorrisos. E da forma como os teus olhos brilhavam quando olhavas para mim.

Tu, comigo, não andavas. Davas pulos.

Contagiavas tudo e todos à tua volta. Vi-te, no outro dia, e já não brilhas. E é triste.

Como não precisavas de certas coisas para te afirmares, antigamente a tua presença bastava para fazer virar cabeças.

Tenho saudades do som do teu riso.

De me apaixonar por ti cada vez mais, a cada momento que passava. 

Decidiste apagar-me tão rapidamente - da mesma maneira como entrámos na vida um do outro.

E hoje estou assim...As saudades vêm rápido...E tu? Tu nunca chegas...

Confiavas em mim. Tenho saudades de poder confiar em ti.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um quarto para as duas

Estou sempre em dois mundos todas as noites. Fecho o meu tempo num único ponto à procura de sinais. Os meus sentidos mergulham em sons silenciosos da memória.
Só para conseguir atravessar os meus pensamentos e esperar que não adormeça.
Danço descalço a tua dança.
Costumavas ter nos teus olhos chamas. Mostraste-me espíritos que nunca nasceram e, anjos com que nunca tinha sonhado.
Mas numa noite, quebraste com os teus medos e libertaste-te do teu próprio brilho.
Paraste a tua vida para encontrares a tua luz.
Uma vez disseste-me " Pensamentos são reais, mais do que as palavras, podes criar na tua mente todo um mundo novo". Apesar do teu sussurro me parecer a voz dos anjos, continuo à procura de ilusões nas tuas palavras. Implorei-te que voltasses atrás, e encontrei um sorriso na tua cara.
Mudaste-me e nem sabes o quanto.
Compreendi que construíste esse teu mundo que agora tens. Nunca diria uma palavra, nem daria sequer um sinal porque pensava que não querias ouvir. Agora que tudo está gasto, vais-me odiar..até tenho medo que tudo mude.
Em todo o lado vejo o teu sorriso. Diz-me que vieste para ficar.
Deixa para trás as regras que ditaste e pelas quais jogaste. Faz a tua viagem pelas estrelas, porque eu não consigo viver sem esse fogo nos teus olhos.
Vi-te a olhar para mim, com lágrimas nos olhos: "Perdoa-me". Não sei porquê, nem sei o que te dizer.
Espero que me cure desta doença que é sonhar.
Porque é que a tua luz é tão fria?


sábado, 1 de fevereiro de 2014

"Promessas"

Não me volto a apaixonar tão cedo e tão repentinamente.
Para quê? Se mais tarde ou mais cedo, acaba tudo da mesma maneira?
Toda a gente quer romances do género Nicholas Sparks e aqueles filmes ingleses que dão pela altura do Natal com imensa neve, tudo vermelho, mega romântico... O romantismo acabou. Agora, namora-se à velocidade de uma mensagem, de um gosto no Facebook, de mais um copo na noite. Namora-se porque há o swag (tradução, para mim, literal de: "secretely we are gay"), há a roupa da moda, há o podre de bom/boa, há a pinta (e os "pintas"), há o imensamente giro (aqui abro parêntesis não para a critica, mas para ficar registado que também é importante mas, não é nem deve ser tudo) É mais importante a frase " Numa relação com (inserir nome)" do que mostrar a quem de direito o que sentimos. Vejo muito copo cheio e muita cabeça vazia.

E eu não estou para isso.

Querem-me? Venham buscar, lutem por isso e façam-me acreditar. Quero ser descoberto e não descobrir alguém. Quero ser encontrado. Estar do outro lado, já que não estou à demasiado tempo.
Que me conquistem, não ser eu a conquistar. Que me surpreendam e não ter que ser eu a ter que estar sempre a pensar em algo original. Algo original já eu sou, para quê estar com invenções? Querem algo original, têm-me a mim...Se querem, lutem!
Esgotei a paciência. Conquistem-me, mostrem-me que valem a pena. Mas que valem a pena a sério, não é só durante uns meses. Mostrem-me que têm algo mais e aí terão a minha atenção.
Farto de clichés, frases feitas e coisas banais. Abanem-me o mundo! Mostrem-me coisas novas. Para coisas básicas vou ali sair à noite e está feito. Para fotocópias, basta sair de casa carregar no botão da máquina de fotocópias da papelaria e sai tudo igual. E muitas das vezes nem preciso de pôr moeda na máquina.
Quero um documento original, certificado, com marca de água, carimbado e assinado. Daqueles que se te atreveres a fotocopiar incorres num crime de falsificação de documentos.
Quero é disso. Acho que já tenho direito à minha "birrinha". São 25 anos sem fazer uma birra por isto. Mereço.

Mas também sei, que este Monstro dentro de mim não adormece portanto, se calhar, deixo-me de merdas (porque é mesmo assim).

E eu, eu não estou para isto.